Estava triste. Sentia-me só. A alma sentia vontade de correr pois só assim fugiria à solidão que a trocidava e até porque aqui não encontra doce leito. Mas ao que a alma quer o corpo não responde pois a inércia tomara conta dos seus movimentos, o desalento apoderara-se dos nervos e a vontade de perecer por terra era mais forte que a vontade de jubilar por viva estar.
As minhas mãos olhavam-se e perdiam-se em gestos de desespero esperando agarrar algo que nunca veio nunca vem e jamais virá.
Os meus pés presos ao chão esperavam ordem de à vontade para finalmente se esquecerem que andar deveriam.
Os meus olhos abarcavam o horizonte pois de fumaça é feito e apenas se percebem os contornos e nada de pormenor capta como se da minha existência apenas o longínquo tivesse algum sabor e eu valor algum tivesse.
A minha boca impávida e serena secou como fonte no deserto e foi machado no oásis de uma vida que tanto necessitava e nada recebia.
Os meus cabelos caídos esperavam o vento como tábua de salvação deste náufrago que no meio da multidão tão só se sente e não consegue lutar pela sua salvação quanto mais agarrar a bóia que já foi levada pela corrente do desespero.
Apenas o meu cérebro continua a reclamar a fuga possível a corrida para a verdadeira solidão o encontro final com as sensações da Natureza o embraçar de outros sons e cores o êxtase de sentir pois há uma eternidade este corpo nada sentia.
Quem era eu? Que mais queria neste momento? Era apenas um pedaço de carne do sexo feminino completa fisicamente imprópria para consumo e sem rótulo para enaltecer já que tudo o que eu fizera estava mal ou que dissera mal estava. Queria apenas fugir vontade de partir e tudo abandonar sem meu coração danar. A multidão passava e eu no meio do burburinho permanecia só e sozinha. Lentamente os pés mexeram, as mãos incitaram, os olhos procuraram e a boca esgueirou um sorriso de vitória enquanto os meus cabelos se pretendiam sentir como cavalo de crina ao vento. Atravessei a multidão e na densa floresta me embrenhei à procura da solidão verdadeira e de uma toca para a minha dor amargurada ou apenas de uma flor para com ela tudo partilhar (esperemos que depois disso ela não murche!). Estaquei cansada e nada mais pude reclamar ao meu corpo que sobre os joelhos caiu sentindo o verde musgo orvalhado sob as minhas pernas. Olhei e vi o verde e as árvores mil cores e as flores castanho branco ou amarelo de outras coisas mais. Era lindo o colo da Deusa-Mãe que como a minha me recebia em seus braços como protecção e todo o carinho e devoção me entregava à vida em gestos meigos e novelosos.
De joelhos reclamei:
- onde está o meu beijo? Diz-me tu ó vento que acaricias os meus cabelos e os enganas em doces promessas de dançarias!
E diz-lhe o vento que o beijo partira para a guerra e nela morreu solteiro pois vontade de ter irmão não era a sua. Tinha que viver sem beijo algum e fazer calar a vontade de uma boca sedenta mas desaproveitada e de uma romântica alma que no desespero por um beijo a um morto se sujeitava beijar.
- onde está o meu toque de pele? Diz-me tu ó vento que envolves o meu corpo e um fazer sentir prazer no teu toque como há muito não sentia e por tal falo em corpo feminino e não em mulher!
E diz-me o vento que o mar o englotiu e levou para os seus castelos mais secretos e o deu aos corais algas e peixes para que pudessem tocar a musica de embalar as ondas.
- onde está o meu prazer de ser mulher? Diz-me tu ó vento que pareces arrancar a alma do meu perdido corpo para que a possas levar para tão singelas planícies elisías onde abundam as searas que se beijam em frufrus se tocam sensualmente e amor fazem nascendo pois uma papoila vermelha de paixão pela emoção de sentir!
E diz-me o vento que a terra a massacrou em jaula bem esboroenta pois a semente estéril estava e nada dela brotou e por isso nada de amar fazia sentido e despropositado era dar-me o prazer de mulher me sentir.
- diz-me ó vento pois então que faço eu aqui perante o teu altar onde acalento o meu ser e despejo os meus sonhos incongruentes e falsos por na realidade a nada se assemelharem.
- digo-te eu que aqui permaneces pois comigo os beijos quentes no teu corpo sentes e isso alento te dá, porque comigo sentes prazer de ser tocada de forma tão simples que faz estremecer teu corpo sedento, porque comigo sentes as sensações de amar e ter prazer, a volúpia dos sentidos quando te abraço com mais força e faço esvoaçar teus cabelos como das mãos de um homem se tratasse em jeito de preliminar.
- sim. Aqui permaneço contigo porque tu me dás o prazer de sentir e ser sentida. Mas, por favor, rasga meu peito e leva dele esta dor que me está a matar. Lenta, lentamente.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário